‘Ele me afogava até eu encostar no chão’: ex-enteada de Jairinho relata idas ao motel e agressões em depoimento

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O ex-vereador Jairinho durante julgamento pela morte de Heny Borel - Brunno Dantas/TJRJ

Um dos depoimentos mais importantes do julgamento que condenou o ex-vereador carioca Jairinho pela morte de Henry Borel, de 4 anos, veio de uma jovem de 18 anos que afirmou ter sido vítima de agressões do réu quando tinha apenas 5 anos.

O relato foi apresentado aos jurados durante os 11 dias do julgamento do caso Henry e ajudou a sustentar a tese da acusação de que Jairinho mantinha um histórico de violência contra crianças.

Segundo o depoimento, a jovem conheceu Jairinho durante o relacionamento dele com sua mãe. Ao ser questionada sobre episódios que viveu na infância, ela contou que era levada para motéis, onde sofria agressões dentro da piscina.

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“Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. Aí me soltava, eu respirava e ele me afogava de novo com o pé dele me empurrando até o chão várias vezes”, afirmou.

A testemunha também relatou outros episódios de violência física. Segundo ela, em uma ocasião, Jairinho apertou seu braço com tanta força que ela precisou usar gesso.

Durante o depoimento, a jovem explicou que nunca contou à mãe o que acontecia porque tinha medo de deixá-la triste.

“Ele falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste”, disse.

Descoberta após o fim do relacionamento

A mãe da jovem afirmou aos jurados que só tomou conhecimento das agressões cerca de um ano depois do término do relacionamento com Jairinho.

Segundo ela, a filha revelou os episódios enquanto assistia a uma reportagem sobre violência infantil.

“Ela começou a chorar e falou que ele fazia isso comigo. Ela falou que ele batia, batia na cabeça dela, torcia o braço dela”, relatou.

A mulher afirmou ainda que a filha jamais havia comentado qualquer agressão enquanto o relacionamento estava em andamento.

Ex-enteada de Jairinho relata idas ao motel e agressões em depoimento — Foto: Reprodução/TV Globo
Ex-enteada de Jairinho relata idas ao motel e agressões em depoimento — Foto: Reprodução/TV Globo

Depoimento reforçou acusação

A acusação utilizou o relato para sustentar que as agressões contra Henry não seriam um episódio isolado. Os promotores argumentaram que a testemunha descreveu comportamentos semelhantes aos que apareceram ao longo das investigações sobre a morte do menino.

Na madrugada de quinta-feira (4), após 11 dias de julgamento, Jairinho foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio contra Henry Borel.

Henry Borel — Foto: Reprodução/TV Globo
Henry Borel — Foto: Reprodução/TV Globo

Morte de Henry motivou denúncia

De acordo com os depoimentos apresentados no julgamento, mãe e filha decidiram procurar as autoridades após tomarem conhecimento da morte de Henry Borel, em março de 2021.

A mãe contou que procurou o pai do menino, Leniel Borel, para relatar o que havia descoberto. Já a jovem afirmou ter carregado por muito tempo um sentimento de culpa.

“Eu me senti muito culpada, porque achei que, se a gente tivesse feito alguma coisa, se a gente tivesse falado, não teria chegado aonde chegou”, disse.

Em 8 de março de 2021, Henry foi levado sem vida ao hospital. Laudos indicaram hemorragia interna e laceração do fígado provocadas por ação contundente. Peritos ouvidos no processo apontaram que os ferimentos eram incompatíveis com a versão do casal de que a criança havia caído da cama.

Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio — Foto: Reprodução/TV Globo
Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio — Foto: Reprodução/TV Globo

‘A justiça matou o meu filho’

Leniel Borel, pai de Henry, disse que não houve justiça completa por Henry e criticou o perdão judicial concedido a Monique pela juíza Elizabeth Machado Louro, que considerou ter havido uma “misoginia declarada” contra a mãe.

A decisão está longe de encerrar o caso. O Ministério Público recorreu, alegando irregularidades após a juíza ter mudado uma das perguntas feitas aos jurados, o que, segundo a acusação, contribuiu para uma mudança do entendimento sobre a responsabilidade de Monique.

Monique Medeiros já está em liberdade.

Jairinho permanece no presídio em Bangu, onde agora vai cumprir pena. Sua defesa também pretende pedir a anulação do julgamento.

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