Abertura de delegacia na casa onde Hitler nasceu gera debate na Áustria

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Projeto escolhido para a remodelação arquitetônica da casa onde Adolf Hitler nasceu, durante uma coletiva de imprensa em Viena, Áustria - Leonhard Foeger - 2.jun.20/Reuters

por AFP

A abertura de uma delegacia de polícia na casa onde Adolf Hitler nasceu gerou sentimentos contraditórios em sua cidade natal, na Áustria. “É uma faca de dois gumes”, afirma a assistente de escritório Sibylle Treiblmaier, 53, em frente ao imóvel em Braunau am Inn, perto da fronteira com a Alemanha.

O governo quer neutralizar o local e, em 2016, aprovou uma lei para assumir o controle do prédio deteriorado, que era de propriedade privada. Embora o projeto possa ajudar a impedir que extremistas de direita se reúnam no local, Sibylle e outros cidadãos defendem que a casa poderia ter sido “melhor aproveitada”.

A Áustria, anexada pela Alemanha nazista em 1938, costuma ser criticada por não ter reconhecido imediatamente sua responsabilidade pelo Holocausto, no qual seis milhões de judeus europeus foram assassinados.

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Até hoje, permanecem críticas em relação a esse assunto. Apenas no ano passado, por exemplo, duas ruas em Braunau am Inn que homenageavam nazistas foram renomeadas, algo que grupos ativistas exigiam há anos.

A casa onde Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 e morou por um curto período em sua juventude está localizada no centro da cidade, em uma rua estreita repleta de lojas. Em frente à casa, há uma pedra com a inscrição: “Por paz, liberdade e democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos alertam”.

Jornalistas da agência de notícias AFP visitaram o local esta semana e viram uma equipe de operários dando os retoques finais na fachada renovada. Segundo o Ministério do Interior, a delegacia deverá estar em funcionamento no segundo trimestre de 2026.

Mas para Ludwig Laher, membro do Comitê Mauthausen da Áustria, que representa as vítimas do Holocausto, “uma delegacia de polícia é problemática porque a polícia é obrigada, em todos os sistemas políticos, a proteger o que o Estado deseja”.

Outras ideias foram apresentadas. Anos atrás, por exemplo, o Ministério do Interior a alugou para um centro para pessoas com deficiência que, com o tempo, foi abandonado. Laher diz que o plano de transformar a casa em um local de encontro para discutir como promover a paz, recebeu muito apoio.

Para Jasmin Stadler, dona de loja, teria sido interessante colocar o local de nascimento de Hitler em um “contexto histórico”, oferecendo mais informações sobre o imóvel. A mulher de 34 anos, natural de Braunau, também criticou o custo da reforma, que foi de € 20 milhões (cerca de R$ 122 milhões, na cotação atual).

Já Wolfgang Leithner, um engenheiro eletricista de 57 anos, expressou a esperança de que o projeto “traga um pouco de tranquilidade” para a região e impeça que a casa se torne um local de peregrinação para extremistas de direita. “Faz sentido usar o prédio e cedê-lo à polícia e às autoridades públicas”, afirmou.

A AFP tentou entrar em contato com o gabinete do prefeito, o conservador Johannes Waidbacher, mas não recebeu resposta.

O debate sobre como lidar com a história do Holocausto não é novo na Áustria e ressurge periodicamente. Durante o regime nazista, aproximadamente 65 mil judeus austríacos foram assassinados e cerca de 130 mil foram forçados ao exílio.

O Partido da Liberdade, de ultradireita e fundado por ex-nazistas, lidera atualmente as pesquisas de opinião no país. Em 2024, pela primeira vez, obteve a maioria dos votos nas eleições legislativas, mas não conseguiu formar governo.

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