EUA deportam mais de 200 venezuelanos apesar de bloqueio judicial

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Supostos membros do Tren de Aragua, recentemente deportados pelo governo dos EUA, são processados para serem encarcerados no Centro de Confinamento do Terrorismo em El Salvador - Secretaria de Prensa de la Presi/via Reuters

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou no domingo (16) que mais de 200 venezuelanos foram deportados dos Estados Unidos para seu país. Os migrantes são acusados de integrar a gangue Tren de Aragua, que surgiu na Venezuela e vem se espalhando por outros países.

A iniciativa ocorreu a despeito de a Justiça americana ter suspendido, na véspera, uma lei do século 18 invocada pelo presidente Donald Trump para determinar expulsões em massa.

A Lei dos Inimigos Estrangeiros, criada em 1798, prevê deportações durante “qualquer invasão ou incursão predatória perpetrada, tentada ou ameaçada contra o território dos Estados Unidos por qualquer nação ou governo estrangeiro”.

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Em comunicado divulgado pela Casa Branca no sábado (15), Trump afirmou que membros do Tren de Arágua estariam “conduzindo uma guerra irregular e tomando ações hostis contra os Estados Unidos” com o objetivo de desestabilizar o país.

Um juiz federal, porém, suspendeu a aplicação da legislação horas após o presidente republicano tê-la invocado. O magistrado James Boasberg afirmou que a lei “não oferece base para a declaração do presidente tendo em vista que os termos invasão e incursão predatória na realidade têm relação com atos hostis perpetrados por qualquer nação e que sejam equivalentes a uma guerra”.

Até 2025, a Lei dos Inimigos Estrangeiros só tinha sido acionada em três ocasiões: a guerra Anglo-Americana (1812-1815), a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, a norma foi usada para enviar descendentes de japoneses, americanos e italianos para campos de detenção nos Estados Unidos.

Bukele fez o anúncio das deportações em suas redes sociais. Em outra publicação, ele foi irônico com a decisão da Justiça americana. “Ops… tarde demais”, escreveu. Não foi divulgado se a ação aconteceu antes ou depois do bloqueio judicial.

Segundo o presidente salvadorenho, os detidos foram levados para o Centro de Confinamento do Terrorismo —uma megaprisão com capacidade para até 40 mil detentos em Tecoluca, localizada a 75 km ao sudeste de San Salvador. Eles chegaram ao país em três aviões durante a madrugada de domingo.

No vídeo publicado pelo líder salvadorenho, os deportados aparecem ajoelhados e dizendo os seus nomes aos agentes penitenciários. Depois, eles têm as cabeças raspadas. As imagens também mostram os presos sendo conduzidos às suas celas vestindo shorts, camisetas e meias brancas.

Durante uma reunião em fevereiro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Bukele se ofereceu para prender detidos enviados pelos EUA, incluindo membros do grupo criminoso Tren de Aragua.

O Tren de Aragua surgiu em 2014 na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, na Venezuela. A organização é ligada a assassinatos, sequestros, tráfico de drogas, extorsão, prostituição e tráfico de pessoas. Seus membros expandiram atividades para diversos países, incluindo Estados Unidos, Colômbia, Chile e Peru.

Segundo a agência de notícias Associated Press, os Estados Unidos vão pagar US$ 6 milhões (cerca de R$ 54 milhões) para El Salvador devido à operação de transferência dos migrantes. “Uma taxa muito baixa para eles, mas uma taxa alta para nós”, disse o presidente de El Salvador.

Marco Rubio, que confirmou a deportação dos membros do Tren de Aragua, escreveu em publicação no X, no domingo, que os EUA também enviaram de volta a El Salvador 23 membros da MS-13.

Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos incluiu as duas gangues na sua lista de organizações terroristas. “Enviamos dois perigosos líderes da MS-13, além de 21 dos seus membros mais procurados, de volta a El Salvador para que respondam perante a Justiça”, escreveu Rubio.

A imagem mostra uma operação policial em um aeroporto, onde vários policiais armados, vestidos com uniformes pretos e capacetes, cercam um homem que está sendo escoltado. O homem, vestido de branco, parece estar sendo detido. Ao fundo, uma aeronave da companhia aérea Gol é visível, com escadas de desembarque. A cena ocorre à noite.
Polícia de El Salvador escolta um suposto membro da gangue Tren de Aragua, no domingo (16) – Secretaria de Prensa de la Presi/via REUTERS

Grupos de direitos humanos criticam a ofensiva de Bukele, afirmando que milhares de inocentes foram detidos sem ordem judicial. A ONG Socorro Jurídico Humanitário já havia classificado de intolerável a decisão de El Salvador de receber presos deportados pelos EUA.

O governo do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, também condenou o uso da lei americana, que ele chamou de anacrônica, para deportar supostos membros de gangues, afirmando que a medida viola os direitos dos migrantes.

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