Falso médico é descoberto após citar vesícula de paciente que não tem o órgão durante ultrassom

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Wellington Augusto Mazini Silva foi preso após se passar por médico e realizar exames de ultrassom. — Foto: Redes sociais e Reprodução/Unsplash

O empresário Wellington Augusto Mazini Silva, preso após se passar por médico em uma unidade de saúde de Cananéia, no litoral de São Paulo, foi descoberto após dizer ter visto a vesícula de uma paciente, que não tem o órgão, durante um exame de ultrassom.

A mulher desconfiou da situação e alertou o diretor de Saúde da cidade, que acionou a Polícia Militar (PM). O suspeito foi preso na quarta-feira (7) usando o CRM de um médico sócio em uma clínica da capital paulista.

Segundo apurado junto à Polícia Civil, Wellington levantou suspeitas em diversos pacientes por conta das ponderações que fazia durante as consultas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Centro.

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Além de afirmar que uma mulher estava com a vesícula em boas condições, mesmo após a retirada do órgão, o falso médico disse a outro paciente que ele não tinha gordura no fígado, apesar de o homem estar em tratamento para a condição.

Ainda de acordo com a corporação, outros pacientes também relataram que os laudos emitidos pelo suspeito eram “copia e cola” de outros documentos.

Prisão

Segundo o boletim de ocorrência, Wellington usava o CRM de um médico sócio em uma clínica de São Paulo e realizava exames de ultrassom com equipamentos próprios.

Com o suspeito, a polícia encontrou carimbo de outro médico, blocos de receituários de diferentes clínicas e um cadastro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) de outro profissional.

O suspeito alegou, de forma informal, que receberia R$ 2 mil pelos serviços prestados. Ele foi autuado por exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, pois além de se apresentar como outra pessoa, laudava com a identidade falsa.

Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia — Foto: Redes sociais e Reprodução
Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia — Foto: Redes sociais e Reprodução

Wellington passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. Ele foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro.

Ao portal g1, o advogado Celino Barbosa de Souza Netto, que defende Wellington no caso, afirmou que vai recorrer da decisão que manteve a prisão do cliente e provará a inocência dele no decorrer do processo.

Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Cananéia informou que ele atuou na UBS apenas por um dia. Segundo a administração municipal, o verdadeiro médico foi regularmente contratado pela empresa gestora do sistema municipal de saúde, com apresentação de toda a documentação exigida, incluindo CRM válido.

“Contudo, quem compareceu à unidade para prestar o serviço foi outra pessoa, que se fez passar pelo profissional, utilizando documentos falsos apresentados a servidores municipais e à autoridade policial”, disse a administração.

A prefeitura informou que identificou a fraude e garantiu que todas as providências já foram adotadas. Destacou que, embora a ultrassonografia seja um exame não invasivo e de baixo risco, sua realização sem habilitação legal representa uma grave violação ética e jurídica.

A administração municipal acrescentou que todos os pacientes atendidos na terça-feira (6) estão sendo reconvocados para repetir os exames na próxima terça-feira, dia 13 de janeiro.

“A Prefeitura de Cananéia lamenta o ocorrido, apresenta desculpas à população e informa que foi instaurada sindicância administrativa, em conjunto com a empresa gestora, para apurar responsabilidades, identificar falhas e fortalecer os mecanismos de controle, prevenção e governança”.

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