Irã condena cantora a 74 chicotadas por se apresentar sem véu

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A cantora iraniana Parastoo Ahmadi em apresentação publicada no YouTube - Reprodução/Parastoo Ahmadi no youtube

A cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a 74 chicotadas por acusações de difundir conteúdo imoral e que viola “a castidade pública”, depois de ter publicado no YouTube um vídeo cantando sem hijab (véu islâmico). Oito membros da sua equipe também foram condenados à mesma sentença.

Ahmadi, de 29 anos, ficará ainda impedida de participar em atividades artísticas e de viajar durante dois anos, de acordo com a organização não governamental iraniana Abdorrahman Boroumand Center for Human Rights.

Na gravação, Ahmadi usou um vestido preto que deixava os ombros descobertos e cantou sozinha. Desde 1979, data da criação da República Islâmica, as mulheres são proibidas de cantar em público.

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“Sou Parastoo, uma garota que quer cantar para as pessoas que ama. Este é um direito que não podia ignorar: cantar pela terra que amo apaixonadamente. Aqui, nesta parte do nosso amado Irã, onde a história e os nossos mitos se entrelaçam, ouçam a minha voz neste concerto imaginário e imaginem esta bela pátria…”, escreveu a artista, na descrição do vídeo.

Poucas horas depois da transmissão do concerto, que aconteceu em 2024, Ahmadi e dois músicos da sua banda foram detidos.

Eles foram liberados poucos dias depois, mediante o pagamento de fiança no valor de cerca de 37 mil euros (R$ 218 mil). Esta semana, a sentença chegou.

Ahmadi não esconde a oposição ao regime iraniano. Segundo o jornal espanhol El País, a cantora ficou conhecida durante as manifestações que popularizaram o lema “Mulher, Vida, Liberdade” e que tiveram início após a morte de Jina Mahsa Amini, que foi espancada até a morte pela polícia iraniana por usar o véu de forma “inadequada”.

As mulheres iranianas têm protestado contra o regime, seja ao não usar o obrigatório hijab, seja através de movimentos online.

No início deste ano, Melika Barahimi, de 23 anos, refugiada no Canadá, partilhou uma fotografia, sem hijab e com um cigarro na boca, queimando uma foto de Ali Khamenei, morto nos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O gesto foi replicado por muitas outras mulheres que acenderam um cigarro –por si só um ato de rebeldia– e protestaram contra a ordem política e religiosa.

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