PGR defende no STF que Sergio Moro se torne réu por suposta calúnia contra Gilmar Mendes

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Por Lucas Mendes

A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou os termos da denúncia que fez ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por supostamente ter caluniado o ministro do Supremo, Gilmar Mendes.

Na manifestação, enviada à Corte na segunda-feira (29), a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Maria Araujo, defendeu que Moro se torne réu pelo caso.

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Lindôra também rebateu argumentações feitas pela defesa do senador. Ela disse que as declarações feitas pelo congressista não estão protegidas pela imunidade parlamentar e que a ação deve tramitar no Supremo.

“As opiniões, palavras e votos externados pelo parlamentar fora do Congresso Nacional só são albergadas pela inviolabilidade civil e penal se estiverem relacionadas diretamente com o exercício do mandato ou tenham sido pronunciados em razão dele, enquanto que as manifestações declinadas dentro da Casa Legislativa dispensam a análise do nexo funcional”, disse a vice-PGR.

A relatora do caso é a ministra Cármen Lúcia. No começo do mês, a magistrada mandou notificar Moro para que apresentasse sua defesa.

A PGR denunciou Moro em 17 de abril pelo crime de calúnia contra o ministro do STF Gilmar Mendes, por causa de um vídeo em que o senador aparece falando em “comprar habeas corpus” do magistrado.

Segundo Lindôra, a fala de Moro acusa falsamente Gilmar Mendes “de comercializar, no exercício da função jurisdicional, decisão judicial concessiva de habeas corpus”.

“Essa descrição fática revela que o denunciado caluniou o Ministro Gilmar Ferreira Mendes, imputando-lhe falsamente o crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317 do Código Penal, ao relatar que o magistrado, no exercício da função judicante, solicita ou recebe vantagem indevida para proferir decisões em habeas corpus ou aceita promessa de tal vantagem”, disse.

Para a vice-PGR, as declarações da defesa de Moro de que “tudo não passou de uma brincadeira” em uma festa junina “não passam de meras alegações sem o devido alicerce probatório”.

Ela também entendeu que, ao contrário do que a defesa argumentou, Moro não se retratou pela fala.

“A postagem e o vídeo veiculado pelo acusado em seu perfil mantido em rede social não indicam retratação cabal, total e irrestrita das suas falas ofensivas à honra de Ministro do Supremo Tribunal Federal”.

Defesa

Em sua defesa ao STF, Moro pediu a rejeição da denúncia. Segundo os advogados do congressista, a acusação não trouxe requisitos mínimos necessários para seu prosseguimento.

“Não é possível identificar quando, onde, por que, para quem, sob qual contexto as afirmações supostamente criminosas foram exprimidas pelo acusado”, disse a defesa de Moro.

Outro ponto apresentado pela defesa do parlamentar é o de que o STF não teria competência para processar e julgar o caso porque a fala de Moro que é objeto da denúncia foi feita antes de ele assumir o mandato de senador da República

“As afirmações (não criminosas, registre-se desde logo) proferidas pelo acusado se deram ao largo de sua atuação parlamentar e enquanto este sequer era detentor de função pública eletiva”, disseram os advogados, afirmando que a fala também foi retirada de contexto.

“O vídeo que originou a autuação do presente processo foi gravado durante uma ‘festa junina’, provavelmente ocorrida em junho/julho de 2022, e a sua versão editada foi divulgada em abril de 2023, ou seja, muito antes de o acusado assumir sua função pública eletiva junto ao Congresso Nacional”.

Para a defesa de Moro, a denúncia não aponta “um elemento sequer” que indicaria que o senador seria o responsável por gravar, editar ou divulgar o vídeo. “Isso é sintomático, pois nada que diz respeito ao vídeo que serviu de base à denúncia é de responsabilidade de Sergio Moro”.

Os advogados também argumentaram que, “apesar de infelizes”, as afirmações de Moro sobre Gilmar Mendes “não possuem qualquer conotação criminosa”.

Entenda

A denúncia contra Moro é assinada pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Maria Araujo. O procedimento foi apresentado após a PGR receber uma representação do próprio Gilmar Mendes em 14 de abril.

“Em data, hora e local incertos, o denunciado Sergio Fernando Moro, com livre vontade e consciência, caluniou o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Ferreira Mendes, imputando-lhe falsamente o crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317 do Código Penal, ao afumar que a vítima solicita ou recebe, em razão de sua função pública, vantagem indevida para conceder habeas corpus, ou aceita promessa de tal vantagem”, disse Lindôra.

Para a vice-PGR, Moro “agiu com a nítida intenção de macular a imagem e a honra objetiva do ofendido, tentando descredibilizar a sua atuação como magistrado da mais alta Corte do país”.

No vídeo em questão, que repercutiu nas redes sociais, Moro é visto em uma aparente festa, ao ar livre, quando alguém ao fundo diz: “Está subornando o velho”. O ex-ministro da Justiça responde, enquanto pega um copo: “Não, isso é fiança… instituto. Para comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”.

Quando o vídeo veio à tona, a assessoria de Moro afirmou à reportagem que “a fala foi retirada de contexto, tanto que [foi] divulgado só um fragmento e não contém nenhuma acusação contra ninguém”.

Depois do oferecimento da denúncia, a reportagem procurou novamente o ex-ministro da Justiça para comentar o caso. Por meio de sua assessoria, ele destacou que as imagens foram editadas e que “não revelam” qualquer acusação contra Mendes.

“O senador Sergio Moro sempre se pronunciou de forma respeitosa em relação ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, mesmo quando provocado ou contrariado. Jamais agiu com intenção de ofender ninguém e repudia a denúncia apresentada de forma açodada pela PGR, sem base e sem sequer ouvir previamente o Senador”, pontuou a nota.

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