Trump agora diz que há ‘boa chance’ de encontrar Putin em Budapeste

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O presidente Trump recebe o premiê húngaro, Viktor Orbán, na Casa Branca - Jessica Koscielniak - 7.nov.25/Reuters

Após cancelar um encontro com Vladimir Putin em Budapeste, o presidente Donald Trump afirmou na sexta-feira (7) que a realização da cúpula tem “uma chance muito boa” de acontecer —e ele quer que seja na capital húngara.

Foi uma deferência a seu convidado na Casa Branca, o premiê Viktor Orbán, 15 anos ininterruptos no cargo na Hungria. Ele é um dos maiores aliados de Trump na Europa, e ambos nutrem admiração mútua pelo populismo de direita que defendem.

“Sempre há uma chance, uma chance muito boa”, disse Trump a repórteres ao receber Orbán. Ao mesmo tempo, afirmou: “Eu gostaria de manter [a reunião] na Hungria, em Budapeste. Aquele encontro eu não quis porque achei que nada significativo iria ocorrer. Mas se formos ter, quero que seja em Budapeste”.

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Em 16 de outubro, na véspera de receber Volodimir Zelenski em Washington, Trump realizou uma longa chamada telefônica com Putin. O russo o convenceu a não fornecer mísseis de cruzeiro Tomahawk a Kiev e ambos marcaram uma cúpula para em até duas semanas, a segunda em pouco mais de dois meses.

As conversas subsequentes entre seus chefes diplomáticos, Marco Rubio e Serguei Lavrov, fracassaram pelos motivos de sempre: em resumo, o russo quer concessões maximalistas de saída para aceitar um cessar-fogo, enquanto os ucranianos querem negociar após a trégua.

O impacto do fracasso foi tão grande que começou a correr em Moscou um boato de que Lavrov, no cargo desde 2004, seria demitido. Segundo o jornal Folha ouviu de pessoas ligadas ao Kremlin, não é fato, apesar do mal-estar. Nesta sexta, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, negou a queda do ministro.

“A guerra não acaba porque a Rússia não quer”, disse Trump a Orbán antes do almoço de trabalho entre eles, com a presença de jornalistas. Com efeito, Putin está jogando todas suas fichas na conquista da estratégica Pokrovsk, centro logístico das forças de Zelenski na região de Donetsk (leste), que foi invadida e está sob cerco.

Orbán é o líder europeu mais próximo de Putin e um crítico do governo de Kiev, a quem culpa pela guerra. Ao mesmo tempo, a Hungria é parte da União Europeia e da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, o que lhe vale acusações de traição por parte dos pares —isso fora medidas de erosão da democracia local e perseguição a minorias.

Não na Casa Branca, onde suas políticas radicais contra imigração inspiraram as de Trump, que elogiou o premiê sobre o tema. Mais que isso, pareceu ávido a ouvir a principal demanda do húngaro: ser excluído das sanções secundárias contra quem comprar petróleo das duas principais empresas russas, a Rosneft e a Lukoil.

“Claro, nós vamos olhar isso, porque é muito difícil para ele conseguir petróleo e gás de outras áreas. Como vocês sabem, eles não têm a vantagem de ter um mar. Então eles têm um problema difícil”, afirmou o americano.

Mais tarde, ainda nesta sexta, um funcionário da Casa Branca anunciou que os EUA concederam à Hungria uma isenção de um ano em relação às sanções impostas por usarem fontes de energia russas.

A Hungria é a principal cliente do petróleo russo na União Europeia, bloco que começou paulatinamente a restringir a compra do produto em dezembro de 2022, depois do começo da guerra. Quase 90% do insumo consumido no país vem da Rússia.

Em setembro, cerca de 2,5% do petróleo cru e derivados que Moscou vende foram para o continente. Segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, de Helsinque, desse total de € 311 milhões, € 166 milhões foram para Budapeste. Os eslovacos, cujo atual governo também tem relações estáveis com Moscou, vêm logo a seguir, com € 145 milhões.

De quebra, o húngaro tenta colocar o encontro Putin-Trump de pé para melhorar suas chances na eleição parlamentar de abril do ano que vem, na qual a oposição tem boas chances, segundo pesquisas.

Orbán e Putin têm longa relação. O húngaro, que esteve no poder de 1998 a 2002 e, desde 2010, é o primeiro-ministro do seu país, se tornou um prócer do que ele mesmo chama de democracia iliberal —uma contradição em termos espelhada no modo com que Putin governa a Rússia.

Nos meios conservadores e populistas, o húngaro é uma estrela. Seus contatos vão além dos EUA: na véspera do encontro com Trump, esteve com Eduardo Bolsonaro, o deputado federal filho do ex-presidente Jair que está em campanha contra autoridades brasileiras baseado nos EUA.

O próprio Bolsonaro pai teve como precedente para ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica, algo anterior à condenação por tentativa de golpe pelo Supremo, o temor de fuga: em 2024, ele passou dois dias na indevassável embaixada da Hungria em Brasília.

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